Sol de meio dia

Lá ao longe no fundo quente empoeirado da estrada a casa de porta estreita emoldura o menino.
menino marrom de olhos inflados barriga oca bracinhos finíssimos par de pernas também ou mais,
ar de quem confessa pecado sem culpa.

… como se o que houvesse à volta fosse denso pesado bruto
inflamável.
nada ao redor ninguém
ilha de pau a pique febril e o menino marrom de olhos inflamados
ocres pastéis opacos
não era tristeza nem era alegria os olhos do menino quente  da casa da porta estreita que emoldurava
não o menino mas aquilo que era pensamento e que dele escorria
por todos os lados
através dos olhos e do corpinho franzido enrugado murcho
acabado.

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2 comentários sobre “Sol de meio dia

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